!_Hasta quando_!

A lua...


Ainda sem o dia acabar,


Ela brilha lá no alto,


Rodeada por nuvens caliginosas,


Povoada por barras cinzentas,


Desprotegida,


Sem o apoio das estrelas,


As arvores rodeiam-na cá de baixo


Como se de uma protecção se tratasse.


Cortada a meio,


Confidencia-me o canto dos terrestres,


O voo das aves, o bramido da floresta,


Também estou isolada do mundo,


Isolada, entre quatro paredes,


Entre o verdadeiro e o falso...


Cada vez fica mais escuro


As barras mais carregadas e


Por fim sei que mistério vai cair...


A natureza envolve-me


Todo o céu está cavernoso.


A minha reles poesia


É um desabafo adolescente


Indignado com a confusão dos céus.


A minha vida reflecte


A necessidade de desaparecer...


O canto e o gemido dos animais


São assustadores,


Parecem almas


Na sinistra floresta do além...


As rãs brincam no charco,


O verde das folhas


Quando o vento infecundo do outono,


As debilita e as leva para bem longe,


Desaparece num abrir e fechar de olhos..


O alívio de ser mortal


E o poder de ser propício para a presença divina.


O guardar de uma esperança,


O sentir bondoso de viver,


A lua desperta um amor diferente,


Uma vontade de sobreviver na claridade inatingível...

Postado por PitoKiNha às quinta-feira, outubro 28, 2004

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